quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Funilaria (lanternagem) e Pintura

Funilaria e Pintura

Representando a parte mais cara do veículo ( cerca de 60% do valor ), a carroceria é o que mais diferencia os muitos veículos existentes no Brasil e no exterior.
Um veículo danificada em uma colisão tem de ser reparado visando o retorno às suas características originais de aspecto, segurança e durabilidade.
Modernas técnicas desenvolvidas permitem eliminar o estigma de que carro reparado jamais volta à originalidade. Modernos equipamentos se aliam à técnica em procedimentos de reparação que se assemelham ao processo de fabricação originalmente utilizado na montadora, garantindo qualidade e agilidade no serviço.
Algumas das técnicas e cuidados necessários estão descritos abaixo, bem como sua aplicação e vantagem.

Tratamento anticorrosivo
Toda vez que um veículo é reparado, existe o perigo da corrosão. Uniões de chapa e solda são os pontos críticos, sendo as primeiras vítimas.
A reparação deve levar em consideração alguns cuidados, que ajudam a evitar que a ferrugem se aloje nas partes reparadas :
- A preparação da chapa deve ser eficiente;
- Devem ser utilizadas soldas que protejam a chapa de calor excessivo e da exposição ao oxigênio;
- Os revestimentos originais anti-ferrugem , como a “Batida de pedra” devem ser repostos.

Solda Oxiacetilênica
Bastante utilizada, a solda oxiacetilência utiliza basicamente acetileno e oxigênio em sua composição.
É um tipo de solda altamente agressivo, pois provoca a oxidação da chapa, além de determinar que a mesma atinja elevadas temperaturas provocando modificações na Têmpera do aço, o que pode vir a determinar alterações em sua elasticidade de projeto.
O Aço ALE ( Alto Limite Elástico ), utilizado na parte estrutural da carroceria, é especialmente sensível ao uso da solda oxiacetilênica, tendo suas principais propriedades mecânicas comprometidas em até 38%. Essa alteração determina uma redução na segurança do veículo, pois enfraquece elementos vitais da estrutura da carroceria.
O oxigênio, aliado ao calor excessivo do processo de solda oxiacetilênica, proporciona uma reação com o ferro, criando o Óxido de ferro, a conhecida ferrugem. Desse modo o uso desse tipo de solda terá como conseqüência a baixa qualidade do serviço, permitindo que, a curto prazo, a ferrugem se instale nas regiões críticas que correspondem a união das chapas soldadas.

Solda por pontos de resistência
É o tipo de solda utilizada nas fábricas para montagem da carroceria. Realiza a união de duas chapas através do calor produzido pela passagem de corrente elétrica e pela pressão exercida por dois eletrodos, sem o uso de um terceiro material.
A solda por pontos de resistência é simples e proporciona um ótimo acabamento, pois não gera as deformações causadas pelo calor excessivo. Em um processo de reparação, o uso dessa solda devolve ao veículo suas características originais.
O uso da solda por pontos de resistência, no entanto, é inviável em determinadas regiões, as quais devem ser unidas com o uso da Solda MIG/MAG.

Soldagem MIG / MAG
É a soldagem utilizando um arco elétrico sob uma atmosfera de gás. Nesse tipo de solda, o gás age como proteção, evitando que o oxigênio do ar entre em contato com as peças que estão sendo soldadas, o que contribui de forma significativa em evitar a corrosão futura das peças.
O gases mais utilizados são o argônio ( que é um gás inerte ) e o gás carbônico ( CO2 ).

Ferramentas Pneumáticas
As ferramentas manuais utilizadas em um processo de reparação são complementadas por ferramentas acionadas a ar comprimido ( pneumáticas ).
As ferramentas pneumáticas possuem vantagens em relação às ferramentas elétricas. Uma lixadeira pneumática por exemplo possui uma maior segurança na operação, além de ser bem mais leve que uma correspondente elétrica. As ferramentas pneumáticas possuem dispositivos que evitam acidentes em caso de operação incorreta – caso o disco de desbaste trave em alguma superfície, uma válvula de segurança impede que a mesma continue girando, o que poderia causar um acidente.
Existem diversas ferramentas que proporcionam a retirada de peças, preparação para solda, lixamento, polimento etc.
A mesma central de ar comprimido, quando corretamente instalada, poderá suprir a área de pintura e o acionamento das ferramentas.

Substituição Parcial de peças
É um método que proporciona economia e rapidez na execução além de garantir uma maior qualidade, pois proporciona uma menor interferência na carroceria.
Ao invés de se substituir totalmente uma parte da carroceria ( lateral por exemplo ), faz-se a substituição da parte que foi danificada pela colisão e que não admite reparo. Realiza-se o corte dessa parte e o ajuste da nova peça de acordo com as dimensões da parte retirada.
Em uma peça danificada, o reparo quando viável, deve ser priorizado. Substituir peças inteiras nem sempre é a melhor opção, pois necessitará uma intervenção em uma área muito maior. O reparo ou, se for o caso, a substituição parcial, garante uma maior qualidade no serviço, pois mantém a originalidade sem intervenções em regiões onde não há necessidade de reparo.

Repintura
Os principais elementos que influem em um boa qualidade na repintura são :
- Preparação correta dos materiais a serem aplicados na chapa – o que inclui a própria tinta;
- Preparação da superfície que irá receber a aplicação;
- Aplicação da tinta em área livre de contaminação.

Preparação da tinta
A quantidade de cores e tipos de tinta utilizados pelos fabricantes é enorme. O processo de repintura se adequou a essa realidade com o uso de pequenos laboratórios que permitem a produção dos mais variados pigmentos, independentemente do fabricante, modelo ou ano de fabricação do modelo a ser repintado.
Em um computador ficam registrados as fórmulas de todas as cores atualmente existentes ( o programa deve ser constantemente atualizado ). Ao operador cabe digitar o fabricante, modelo, ano, código da tinta ( disponível em uma etiqueta colada ao veículo ) e volume a ser produzido. O computador fornece as quantidades e quais as bases a serem utilizadas. Utilizando-se de uma balança de precisão ligada ao equipamento, o operador vai realizando a mistura das bases até preparar a tinta desejada.
Esse processo garante uma grande fidelidade à cor original e elimina desperdícios, na medida em que só é produzida a quantidade que realmente é necessária.

Preparação da superfície
O lixamento a seco permite um acabamento adequado, preparando a superfície para o processo final de pintura. Os maiores cuidados referem-se ao uso de unidades de aspiração de pó, para controlar a poeira, garantindo a limpeza necessária à operação, além de evitar problemas de saúde aos operadores.

Cabine/Estufa de Pintura
Equipamento vital à qualidade da pintura, o equipamento tem como função simular o ambiente utilizado na área de pintura das fábricas de automóveis : um área absolutamente livre de contaminação.
O equipamento garante também rapidez no processo, através do controle da temperatura e umidade interna. Um sistema eficiente de filtragem tanto na parte superior quanto inferior, garante uma atmosfera livre de contaminação.
Pressão positiva – um sistema de ventilação / exaustão garante que a pressão interna à cabine seja superior à externa ( ambiente ). Desse modo, no caso de abertura de portas, o sistema impede que o ar externo não filtrado invada a cabine, o que proporcionaria a contaminação da atmosfera interna.

Treinamento
O processo de reparação automotiva, que antes era visto como um processo artesanal, passou, com o uso das técnicas descritas, a ser um processo técnico, com menor possibilidade de erros, maior qualidade e menor tempo na execução do serviço.
O uso dos equipamentos é, sem dúvida, importante. A mão de obra, todavia, torna-se peça chave no processo. Um processo de reparação exige o trabalho de pessoal qualificado e essa qualificação exige treinamento.
Uma oficina bem equipada e com profissionais treinados oferece qualidade e garantia nos serviços, que é o diferencial em qualquer mercado competitivo. Nesse processo ganha não só o consumidor - a empresa é bastante beneficiada, com ganhos expressivos na produtividade e maior segurança no trabalho de seus colaboradores.

4 comentários:

judson disse...

Estou querendo entrar nessa area, mas nao tenho experiencia,vc poderia me dar umas dicas? (se vale a pena, os materias para iniciar uma pequena funilaria e pintura, sobre a pintura,treinamento,etc)

agradeço

Maceio/AL
Judson

Darthez disse...

Maravilhoso! Onde posso encontrar mais informações e as formas de utilizar nas dicas que vc deu? É plenamente utilizavel em uma oficina de pequeno porte, ou reequipar com esse material é muito caro? Abraço!

felipe de padua bragga gonçalves disse...

Parabéns pela postagem! Gostei muito do conteúdo.

Eraldo Filho disse...

Boa tarde, espero que você possa me dar uma orientação: tenho um Gol 96, o qual a alavanca de freio está solta, devido a uso, os parafusos de fixação saltaram, solda a eletrodo pode ser utilizada? E se puder, qual procedimento devo seguir? De antemão, obrigado por qualquer exclarecimento, gostei do blog pela objetividade.